Chanceleres da Europa e Oriente Médio se reúnem em Istambul para discutir crise do Estreito de Ormuz
247 – Ministros das Relações Exteriores de sete países se reúnem nesta sexta-feira (23), em Istambul, na Turquia, para discutir a segurança no Estreito de Ormuz e as crises regionais, em meio às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de novas ações militares contra o Irã.
Segundo a Al Jazeera e a agência Reuters, a agenda envolve a proteção das rotas marítimas e os esforços diplomáticos para conter a escalada no Oriente Médio.
O chanceler turco, Hakan Fidan, recebe representantes de Reino Unido, França, Alemanha, Arábia Saudita, Egito e Paquistão. É a primeira reunião nesse formato, que aproxima o grupo europeu E3 de quatro países articulados no chamado R4. A programação também inclui a questão palestina, o conflito no Iêmen e a guerra entre Rússia e Ucrânia, conforme informações da Reuters e da AFP.
A iniciativa ocorre enquanto novas ameaças militares e ataques a embarcações dificultam uma saída negociada para o confronto entre Washington e Teerã. Segundo a Al Jazeera, Trump sinalizou a possibilidade de voltar a atacar o território iraniano e afirmou que os Estados Unidos “acabaram com o país”.
A declaração expressa a avaliação do presidente americano sobre os resultados das operações militares. Ao mesmo tempo, a continuidade das restrições à navegação e dos incidentes envolvendo navios mantém a segurança de Ormuz no centro da disputa diplomática.
Turquia busca conter expansão dos conflitos
De acordo com uma fonte diplomática turca ouvida pela Reuters, Fidan deve defender uma solução negociada para a guerra entre Estados Unidos e Irã e a liberdade de navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb.
O chanceler também pretende reafirmar o apoio à segurança da Arábia Saudita diante dos ataques dos houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã. A posição está vinculada ao acordo de defesa firmado entre Turquia, Paquistão e Arábia Saudita. MarketScreener Australia
A preocupação com as rotas comerciais ultrapassa o Golfo. Segundo a AFP, o governo britânico avalia que os ataques contra a Arábia Saudita ampliam a pressão sobre corredores como Bab el-Mandeb e o Canal de Suez. Londres informou ter mobilizado caças Typhoon da Força Aérea Real para ajudar a defender o espaço aéreo saudita de ataques houthis.
A posição turca para o encontro é impedir que as diferentes crises se alimentem e alcancem novos territórios. Na pauta palestina, Fidan deve pedir maior pressão internacional sobre Israel em relação à expansão dos assentamentos e à violência de colonos.
Ataques a navios agravam tensão em Ormuz
A urgência das conversas aumentou após novos relatos de incidentes marítimos. Segundo a Associated Press, autoridades iranianas afirmaram na quinta-feira (22) que sete petroleiros sofreram incêndios ou danos após ataques ou explosões de minas na região de Ormuz.
O relato iraniano não mencionou vítimas. O organismo britânico de monitoramento marítimo UKMTO não havia registrado aqueles episódios específicos, mas apontou que outubro concentrava o maior número de ataques à navegação comercial desde março e observou resistência de algumas empresas em comunicar ocorrências.
Antes da guerra, cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito passava por Ormuz, segundo a Reuters. A importância energética da passagem faz de sua reabertura um dos principais pontos das negociações entre os governos americano e iraniano.
Irã mantém proposta de reabertura
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em 18 de outubro que continuava válida a proposta apresentada aos Estados Unidos para restabelecer a navegação em um prazo de sete dias.
Conforme a Reuters, as exigências iranianas incluem a retirada do bloqueio americano aos portos do país, a suspensão das sanções sobre suas exportações de petróleo e o encerramento das hostilidades nas frentes regionais. Teerã apresentou o plano em setembro, depois do colapso de um cessar-fogo provisório.
Um dos obstáculos é a sequência das negociações. Washington quer tratar do programa nuclear iraniano desde o início, enquanto Teerã defende que a primeira etapa se concentre na reabertura do estreito e na recuperação da segurança marítima.
As versões sobre o andamento dos contatos também divergem. Segundo reportagem do Infobae com informações da Europa Press, Trump afirmou que Washington não negociava naquele momento um acordo de paz. Araghchi, por sua vez, sustentou que os contatos indiretos continuavam por intermédio de Paquistão e Catar.
Bloqueio compromete perspectivas econômicas
As consequências econômicas ampliam a pressão por uma solução diplomática. O Fundo Monetário Internacional reduziu as previsões de crescimento para o Oriente Médio e a Ásia Central diante da duração da guerra e das interrupções em Ormuz.
Segundo a agência Anadolu, a projeção para a economia desse conjunto de países passou a indicar retração de 0,3% em 2026, uma revisão negativa de 2,2 pontos percentuais em relação à estimativa de abril. O prolongamento do fechamento do estreito foi um dos fatores apontados para a deterioração do cenário.
A expectativa de recuperação significativa em 2027 está associada à reabertura da hidrovia, o que torna a normalização do tráfego marítimo uma variável decisiva para as economias da região.
A reunião de Istambul também abordará a segurança no Mar Negro. Segundo a Reuters, Fidan pretende apresentar os esforços turcos para impedir que a guerra entre Rússia e Ucrânia se espalhe por essa área, acrescentando outra frente de proteção à navegação à agenda dos sete países.



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