Flávio Bolsonaro pode desmontar a diplomacia brasileira e prepara guinada ideológica no Itamaraty
247 – Uma lista de postos diplomáticos estratégicos que devem sofrer uma limpa ideológica já está sendo desenhada por assessores de parlamentares do PL, com o objetivo de minar eventuais resistências a um futuro governo de Flávio Bolsonaro (PL), informa Jamil Chade no Vero Notícias.
A decisão de mapear o Itamaraty ocorreu após aliados do candidato concluírem que um dos principais entraves enfrentados por Jair Bolsonaro (PL) foi a falta de adesão de setores do funcionalismo público para avançar com o desmonte das instituições. Durante a gestão do ex-chanceler Ernesto Araújo, dezenas de diplomata atuaram para conter os danos da política externa do governo anterior, recorrendo ao atraso deliberado de informes, à perda de prazos e ao não cumprimento de diretrizes que poderiam comprometer as relações com governos estrangeiros.
A estratégia atual visa afastar diplomatas identificados como obstáculos à agenda do grupo, mesmo que isso custe a desestruturação do modelo tradicional da diplomacia do país. A inspiração do grupo baseia-se na atuação de Marco Rubio no Departamento de Estado dos Estados Unidos, onde houve o esvaziamento de divisões inteiras, a neutralização de embaixadores e a entrega de posições-chave a aliados alinhados ao movimento “Tornar a América Grande Novamente” (MAGA), muitos dos quais sem qualquer bagagem diplomática, incluindo doadores de campanha e radicais de extrema direita.
Em Brasília, observadores avaliam que há uma ala dentro do próprio Ministério das Relações Exteriores disposta a aderir ao projeto, composta por quadros ultraliberais, ultraconservadores e integrantes do segmento monarquista, que já haviam ganhado visibilidade durante a presidência de Jair Bolsonaro.
O levantamento conduzido pela equipe do PL atinge missões de grande relevância, como a representação do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU). Caso a guinada se confirme, a atuação do país na entidade sofrerá uma revisão profunda, abandonando posições históricas da chancelaria em matérias como a agenda ambiental, a defesa do multilateralismo, o reconhecimento do Estado da Palestina e a submissão a tribunais internacionais.
Chefias de embaixadas em capitais europeias como Paris, Roma, Londres e Madri também estão no radar de remanejamento. Já em Washington, a substituição da embaixadora Maria Luiza Viotti — que chegou a ser alvo de sanções do Departamento de Estado norte-americano — é dada como certa por interlocutores do projeto, que pretendem nomear um representante alinhado à ala mais radical para conduzir o diálogo com os Estados Unidos.
A restruturação planejada para a sede do ministério em Brasília afetará a condução das divisões internas, das secretarias e o processo de escolha de novos chefes de missões diplomáticas. No Oriente Médio, os aliados de Flávio projetam a reaproximação com o governo de Israel. As relações haviam sido abaladas após o presidente Lula (PT) denunciar o genocídio na Faixa de Gaza, atitude que levou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a declará-lo “persona non grata” e motivou a retirada do embaixador brasileiro em Tel Aviv. O chefe do governo israelense já sinalizou interesse em reatar os laços normais em caso de vitória da extrema direita.
A volta de Ernesto Araújo à carreira diplomática também é dada como provável nos bastidores do Itamaraty, sendo cotado para assumir a embaixada brasileira em Buenos Aires. O ex-ministro, que deixou o cargo no governo anterior após gerar atritos com a China e enfraquecer a base de apoio governista no Congresso, reside atualmente nos Estados Unidos e integra o conselho de uma organização vinculada ao Vox, partido da extrema direita espanhola. A sua eventual ida para a Argentina serviria para construir uma ponte direta com a gestão do presidente Javier Milei, aliado de Donald Trump.
Além das trocas de comando, a equipe envolvida no planejamento iniciou uma devassa no histórico digital de integrantes do corpo diplomático para verificar publicações em redes sociais durante a campanha eleitoral. O monitoramento busca identificar interações ou mensagens associadas ao PT, ao presidente Lula, ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a pautas feministas, ao movimento LGBT ou a outras agendas consideradas progressistas.
A definição sobre quem assumirá o comando do Ministério das Relações Exteriores segue em aberto. Enquanto parte do serviço exterior receia um controle exercido pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), setores ligados ao agronegócio e ao perfil exportador defendem a indicação do diplomata Roberto Azevêdo para transmitir uma sinalização de moderação ao mercado internacional.



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