Marçal desdenha de eleitores de Renan Santos após candidato declarar neutralidade no 2º turno
247 – O coach Pablo Marçal (PRTB), aliado da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, desdenhou publicamente do eleitorado de Renan Santos (Missão) após o candidato derrotado optar por não apoiar nenhum dos concorrentes na etapa decisiva do pleito. As provocações foram proferidas na segunda-feira (19) durante participação no podcast IronTalks TV.
Durante a transmissão, o ex-coach dirigiu-se aos cidadãos que escolheram o projeto do partido Missão no primeiro turno. “Você que votou no Renan, fica com esse voto, anula, põe onde você quiser. E acabou”, declarou Marçal. Na mesma ocasião, ele ironizou a trajetória eleitoral do adversário ao afirmar ter alcançado desempenho superior em levantamentos antes de ter a postulação indeferida pela Justiça Eleitoral. “Renan, seu sonho foi cortado quando o pesadelo aqui chegou. Em três dias, eu te passei em uma pesquisa. Fiquei candidato a presidente por tês dias até ser barrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Você ficou um ano contando lorota e não deu em nada”, completou.
A resposta do dirigente partidário ocorreu no dia seguinte pelas redes sociais, espaço no qual rebateu as declarações do aliado bolsonarista e criticou a chapa encabeçada pelo filho de Jair Bolsonaro (PL). “Se você é um eleitor meu, entenda: eles chamaram você de esquisitão e eu de nazista. Eu falo para vocês: votem em quem vocês quiserem nessas eleições. Mas se você é eleitor meu e está disposto a pagar esse mico, achando que está salvando o Brasil, eu já falei. Você está perdendo seu tempo”, manifestou-se o ex-presidenciável.
A opção de neutralidade no segundo turno havia sido detalhada por Renan no programa Alt Tebet, do portal UOL. Na entrevista, o integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) sustentou que uma vitória de Flávio representaria maior risco de concentração do Executivo. “Eu acho que, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio. Eu acho isso aqui, da turma do PT, é o maior argumento que eles têm. Porque, com o Lula, se ganhar a eleição, o Lula não tem poder para passar PEC, para passar nada”, pontuou.
Ao confirmar que não participará do pleito votando em qualquer uma das alternativas, o político defendeu a integridade da legenda recém-criada. “Eu não vou votar. A última vez, eu pedi voto nulo. Dessa vez, eu tô falando: ‘votem em quem quiserem’”, disse ele, acrescentando: “Eu não posso pegar o meu partido político, que eu acredito que o futuro glorioso que eu criei os meus discursos passa necessariamente pelo meu projeto. Eu não posso pegar ele e macular na defesa de outra causa”.
Renan encerrou a disputa em quarto lugar na primeira etapa de votação, com o total de 2.675.887 votos (2,24% do eleitorado). A campanha adotou uma linha de atuação à direita com ataques direcionados tanto à gestão do presidente Lula (PT) quanto ao grupo liderado por Jair Bolsonaro (PL), na tentativa de demarcar autonomia política.
Após a divulgação do resultado das urnas, o ex-candidato negou a existência de tratativas com emissários do PT ou de legendas do Centrão para composição de alianças na fase final da eleição. De acordo com o dirigente, o foco do grupo será a estruturação do partido Missão, que obteve a eleição de dois representantes entre as 483 candidaturas registradas no país. Ele reafirmou que classifica tanto Lula quanto Flávio como “bandidos” e frisou a plena liberdade dos seus militantes para definir como agir nas urnas.



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