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Trump diz que mantém sistema de inteligência para defender Ucrânia após ataques sem aviso prévio

14.10.2026 5 min read

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (13) que Washington continua compartilhando informações de inteligência com a Ucrânia, após Kiev relatar ataques russos sem os alertas antecipados habituais.

Segundo a Reuters, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou Moscou de desrespeitar a trégua energética anunciada pelo líder americano no domingo (11).

Zelensky informou que forças russas lançaram mísseis balísticos contra Kiev, com uma usina termelétrica entre os alvos. O prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko, declarou que um ataque a um edifício residencial de vários andares matou duas pessoas.

“Mais uma vez, nenhum aviso prévio por parte dos nossos parceiros”, escreveu Zelensky no Telegram. O presidente não explicou o motivo da ausência de alerta, mas afirmou que os ataques indicavam que a Rússia não se considerava obrigada a cumprir a suspensão dos bombardeios contra instalações de energia.

“Segundo nossos serviços de inteligência, os russos estão preparando novos lançamentos de mísseis balísticos”, acrescentou.

Questionado por jornalistas sobre a cooperação com Kiev, Trump declarou: “Estamos ajudando-os e compartilhando informações de inteligência”. Ele também disse que o governo americano trabalha com Ucrânia e Rússia para encerrar a guerra.

O presidente dos EUA evitou, porém, responder se Moscou havia violado a trégua. “Vou informar vocês sobre isso mais tarde”, afirmou.

Embora Trump tenha anunciado o cessar-fogo energético no domingo, os dois países ainda não haviam confirmado formalmente o acordo. Zelensky disse que a Ucrânia não atacou refinarias russas desde o anúncio. Na segunda-feira (12), a Rússia atingiu seis instalações de energia ucranianas, de acordo com a reportagem.

A ausência dos avisos antecipados expôs dúvidas sobre a continuidade da assistência americana. Em entrevista à rádio NPR, Zelensky afirmou que o compartilhamento de inteligência não havia sido interrompido, mas que seus generais receberam informações de que isso poderia ocorrer.

“Meus generais me disseram que, no nível dos militares, eles receberam essa informação”, declarou.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, também afirmou que o país continuava recebendo inteligência militar dos Estados Unidos. Ele atribuiu o atraso dos alertas ao tipo de armamento empregado pela Rússia.

Segundo especialistas e autoridades ouvidos pela Reuters, Kiev depende fortemente das informações americanas para antecipar ataques com mísseis e identificar alvos militares russos. Fabian Hoffmann, especialista em mísseis do Instituto Norueguês de Estudos de Defesa, avaliou que os aliados europeus têm capacidade “muito limitada” de substituir os alertas fornecidos por Washington.

“A Ucrânia depende do chamado Sistema de Infravermelho Baseado no Espaço, que os EUA utilizam — e o sistema americano realmente não tem equivalente, e só os Estados Unidos podem fornecer isso”, explicou.

A disputa sobre a trégua ocorre em meio à pressão de Trump para que a Ucrânia interrompa os ataques às refinarias russas. O presidente americano flexibilizou sanções às exportações de diesel da Rússia sob o argumento de que a medida ajudaria a reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições legislativas de novembro.

Zelensky contestou essa justificativa na entrevista à NPR. Segundo ele, o volume de diesel envolvido não seria suficiente para baixar os preços nos Estados Unidos, mas poderia ampliar os recursos disponíveis para o esforço de guerra russo.

“Tenho certeza… porque o volume não é suficiente”, afirmou. “Mas é suficiente para a Rússia gastar mais… mais dinheiro, muito dinheiro, na guerra”, acrescentou.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de Moscou usar as receitas das exportações para comprar mais bombas, Trump não respondeu diretamente. “Esse é um acordo sobre diesel, não para nós. Está sendo liberado para o mundo. Não está sendo liberado para nós”, disse.

O presidente americano tem atribuído aos ataques ucranianos contra refinarias — que levaram Moscou a suspender exportações de diesel — parte da forte alta dos combustíveis nos Estados Unidos neste ano. O aumento representa um problema político para o Partido Republicano às vésperas da disputa pelo Congresso.

De acordo com a Reuters, a maioria dos analistas considera que a guerra dos Estados Unidos no Irã teve impacto muito maior sobre os preços. Zelensky apresentou a mesma avaliação à NPR. “Todo mundo entende isso”, declarou.

Para a Ucrânia, os ataques às refinarias são um dos poucos instrumentos disponíveis para reduzir a capacidade de combate de um adversário maior, mais rico e mais bem equipado. Sybiha afirmou que o pedido americano para suspender essas operações demonstra que Kiev fortaleceu sua posição.

O ministro fez referência à declaração de Trump de que Zelensky “não tinha as cartas”, durante uma reunião tensa no Salão Oval no ano anterior. “Em menos de dois anos, passamos de ‘não ter cartas’ para ‘não jogar suas cartas’. Isso é uma conquista”, afirmou Sybiha.

Na frente diplomática, uma delegação ucraniana esteve nos Estados Unidos na semana passada. Pessoas familiarizadas com as conversas disseram à Reuters que os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner apresentaram a liberação das exportações russas de diesel como parte de uma tentativa de atrair Moscou de volta às negociações.

Um porta-voz do Kremlin, questionado sobre a trégua energética, limitou-se a afirmar que os contatos continuavam, sem fornecer detalhes.

Em pronunciamento noturno publicado no X, Zelensky disse ter encaminhado propostas a autoridades americanas para novas reuniões com Witkoff e Kushner nos próximos dias. O presidente reiterou que apoia a suspensão dos ataques à infraestrutura de energia, desde que a Rússia também a respeite, e afirmou que Kiev está disposta a adotar medidas recíprocas para reduzir as hostilidades.

“Precisamos trabalhar pela paz, precisamos buscar maneiras de tomar as medidas adequadas. A Ucrânia está pronta para reuniões”, declarou.

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