Uso do terror na UFF: a receita do fracasso
Sou professora da UFF e considero os ataques à nossa comunidade universitária e ao seu patrimônio uma expressão acabada do obscurantismo e da fraqueza política. Uma tática estúpida que pode fazer perder votos de quem se apresenta como defensor da extrema direita e da direita!
Somos cerca de 67 mil integrantes, além de uma quantidade imensa de usuários dos nossos serviços. Ameaçar estudantes e espalhar rumores de atentados nos nossos campi é mobilizar uma coletividade de quase 500 mil pessoas, incluindo familiares de alunos, professores e técnicos. É colocar toda essa gente em defesa da universidade e contra os autores dessas ameaças e aqueles que eventualmente lhes deem apoio político.
Faz o terror quem quer parecer mais forte do que realmente é, conquistar adeptos e compensar sua incapacidade de alcançar o poder pela mobilização política.
Qualquer um pode recorrer a essa tática, sobretudo no mundo virtual. Fabricar ameaças e rumores tem baixo custo operacional. Não exige grande organização, inteligência, comando ou muitos recursos. Basta oportunidade e disposição para intimidar.
Trata-se de um marketing negativo que depende de alvos simbólicos para disseminar ameaças difusas, impossíveis de cumprir contra todos os ameaçados. Mas há uma enorme distância entre produzir temor coletivo e conquistar poder. Tanto no mundo virtual quanto fora dele, ameaçar é muito mais fácil do que organizar, comandar, mobilizar recursos e reunir força política para promover mudanças.
A intimidação pode produzir medo e estragos pontuais, mas não substitui a capacidade de mobilização necessária para alcançar vitórias políticas. Quem não tem força para tomar as ruas, como fazem os estudantes das nossas universidades, tenta demonstrar poder pela fabricação do temor.
O terror pode causar danos, mas não basta para derrubar o poder constituído, muito menos o poder popular. É assim que se perde!



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