Manhattan
Imensa e putrefata
Desde que ele ascendeu
Imenso monolito
Do deus consumo
Da santa América
Que defecou no sagrado templo do tempo
E apodreceu
No silêncio atento de todos
Que se calaram ante
Aquele monte pavoroso
Que erigiu
Um novo tempo de fel
De amargor e fedor
Estupendo
Imenso
Dejeto
Que escafedeu
Pra dentro de um transatlântico
Morfeu
Que colidiu
Com o último pedaço de gelo
Derretido
Mundo caótico e medonho
Do medo
Da mentira
E do último arbítrio
Contra o último índio
Que é seu vizinho
E seu inimigo
Ateu
Imundo e vagabundo
Orfeu
Negro
Horripilante
Imigrante imigrado e humilhado
Pela prepotência
Da potência
Que se perdeu
E perdido está o mundo que se sucedeu
Misericórdia
Misericórdia…



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