Ataques iranianos forçaram tropas dos EUA a deixar base no Kuwait
247 – Militares dos Estados Unidos tiveram de deixar a base de Camp Buehring, no Kuwait, após sucessivos ataques iranianos com drones e mísseis nos primeiros dias da guerra conduzida por Washington e Israel contra o Irã.
Segundo reportagem da CBS News citada pela RT, imagens e depoimentos de soldados mostram danos à instalação e indicam que as tropas remanescentes se transferiram para posições improvisadas no deserto kuwaitiano, onde permaneceram por semanas.
A CBS informou ter autenticado as gravações por meio dos metadados dos arquivos e de imagens do local após os ataques. Os vídeos, compartilhados por militares apesar das restrições do Pentágono à divulgação desse material, registram impactos de drones e danos a edifícios e equipamentos na base, situada a cerca de 40 quilômetros da fronteira com o Iraque.
“Eles nos atacaram com força”, relatou um militar à emissora. “Foi horrível… Tivemos que abandonar a base.”
Camp Buehring abrigava aproximadamente 7 mil soldados, mas a maior parte desse contingente havia sido dispersada antes do início das hostilidades, em 28 de fevereiro. A medida integrava uma estratégia do Pentágono para retirar pessoal de posições fixas consideradas vulneráveis a uma retaliação iraniana.
Cerca de cem militares permaneceram na instalação para defendê-la. De acordo com os relatos apresentados pela CBS, os ataques obrigaram esse grupo a procurar abrigo repetidamente em bunkers, enquanto os estoques de munição caíam a níveis muito baixos. A escassez também atingiu os mísseis interceptores do sistema de defesa aérea Patriot.
Um dos militares ouvidos pela emissora afirmou que caças iranianos F-5 também realizaram missões contra a base. Segundo ele, as aeronaves passaram “tão perto de nós que eu conseguia ver seus capacetes”. O relato integra os depoimentos reunidos pela CBS sobre as condições enfrentadas pelas tropas durante os ataques.
Após deixar Camp Buehring, os soldados montaram postos avançados improvisados no deserto. Não houve mortes de militares americanos nesse episódio, segundo a reportagem, mas vários ficaram feridos. Entre eles, dois foram atingidos por raios durante tempestades de areia.
“Camp Buehring foi devastada”, declarou um militar. “Eles precisam fazer uma investigação. Por que ninguém veio nos reforçar?”
O Pentágono não respondeu diretamente às informações apresentadas pela CBS. Em vez disso, remeteu a emissora a declarações feitas em março pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que havia reconhecido a retirada de mais de 90% do pessoal americano das bases dos Estados Unidos na região.
Ataque em outro ponto do Kuwait matou seis soldados
Os relatos sobre Camp Buehring vieram a público dias depois de uma investigação da Associated Press levantar questionamentos sobre a preparação das forças americanas em outra instalação no Kuwait. Em 1º de março, um drone iraniano atingiu um centro de operações dos Estados Unidos no porto de Shuaiba, matou seis soldados e deixou dezenas de feridos.
Segundo o material fornecido, esse foi o ataque isolado mais letal conhecido contra tropas americanas durante o conflito. Alguns sobreviventes disseram à Associated Press que os militares inicialmente prestaram socorro uns aos outros com materiais básicos de primeiros socorros e precisaram recorrer ao Google para localizar o hospital mais próximo, na Cidade do Kuwait. O Pentágono sustentou que a resposta médica foi adequada.
Os danos em Camp Buehring ocorreram em meio a uma campanha iraniana mais ampla contra instalações militares americanas no Oriente Médio. Ataques com drones e mísseis atingiram bases em diversos países e danificaram aeronaves, radares, hangares, alojamentos e outras estruturas.
Até setembro, o Comando Central dos Estados Unidos, conhecido pela sigla CENTCOM, informou que a guerra já havia custado US$ 43,6 bilhões a Washington. Segundo a reportagem, o cálculo não incluía os extensos danos às bases americanas em oito países.
Também havia divergências sobre o número de militares mortos. Até meados de setembro, o Pentágono divulgava um total de 18 mortes, enquanto fontes militares citadas pelo jornal The Washington Post apontavam 22 ou 23.
Restrições à divulgação de imagens
Com o avanço dos ataques, o comando militar americano ampliou as restrições à divulgação de imagens das instalações atingidas. Depois de uma ofensiva iraniana com mísseis e drones contra a base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, matar três militares dos Estados Unidos em 17 de julho, o comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper, advertiu as tropas contra a gravação dos locais atacados.
Cooper argumentou que vídeos publicados na internet ajudavam Teerã a avaliar a precisão e os efeitos de suas ofensivas. Países aliados que recebem bases americanas também impuseram proibições e punições para filmagens de instalações militares e das consequências dos ataques, reduzindo a disponibilidade de registros independentes sobre os danos.



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