Morte de idosa após despejo mobiliza movimento por moradia na Espanha
247 – Maricarmen Abalos, de 87 anos, morreu em um hospital de Madri na quarta-feira (7), duas semanas depois de ser despejada do apartamento onde morou durante cerca de 70 anos. Segundo a Prensa Latina, o caso mobilizou organizações de defesa da moradia, provocou manifestações de integrantes do governo espanhol e acirrou o confronto político sobre medidas de proteção a inquilinos.
O despejo ocorreu em 23 de setembro e foi executado pela polícia. A agência identifica a Urbagestión como responsável pela retirada da idosa do imóvel e relata que Maricarmen foi levada ao hospital após perder a residência. Seu estado de saúde vinha se deteriorando em meio às sucessivas ameaças de despejo. O relato fornecido não informa a causa médica da morte.
A trajetória de Maricarmen ganhou destaque nas mobilizações pelo direito à moradia na capital espanhola. O Sindicato dos Inquilinos organizou um acampamento na Puerta del Sol, uma das principais praças de Madri, e transformou a defesa da permanência da idosa em sua casa em uma referência para o movimento.
Após a morte, a organização anunciou que manterá os protestos e participará da greve geral prevista para 11 de novembro.
“Permaneceremos mobilizados, por moradia digna e em memória de Maricarmen. Participaremos da greve geral de 11 de novembro, porque a sociedade espanhola precisa de políticos melhores”, declarou Alicia del Río, porta-voz nacional do Sindicato dos Inquilinos.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, publicou uma mensagem de condolências nas redes sociais. Segundo a Prensa Latina, ministros também associaram os dois decretos habitacionais recentemente aprovados pelo Executivo à memória de Maricarmen e à situação de outras pessoas ameaçadas de perder suas casas.
A repercussão chegou à Câmara Municipal de Madri. Representantes do Más Madrid e do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) interromperam uma sessão plenária, exibiram cartazes e fizeram um minuto de silêncio em homenagem à idosa.
O prefeito da capital, José Martínez Almeida, reagiu à manifestação e pediu que a esquerda não “instrumentalizasse” a morte para fins eleitorais. O episódio expôs a disputa entre a administração municipal, comandada pela direita, e os partidos que defendem maior intervenção pública na questão habitacional.
No plano nacional, o caso repercute enquanto o governo tenta assegurar a continuidade de medidas que haviam sido rejeitadas no Parlamento. De acordo com a agência, Sánchez convocou eleições gerais para 29 de novembro e, posteriormente, aprovou novamente os dois decretos no Conselho de Ministros, com “melhorias técnicas”.
O primeiro decreto entrou em vigor nesta quinta-feira (8), mas ainda depende de ratificação parlamentar. Com a dissolução das Cortes nesta semana, essa atribuição cabe à Deputação Permanente, órgão que exerce determinadas funções do Legislativo nos períodos em que o Parlamento está dissolvido.
A Prensa Latina informa que o governo teria uma vantagem de 35 votos a 34 nesse colegiado. Se essa composição se confirmar na votação, o Executivo poderá ratificar as medidas mesmo com a oposição do Partido Popular (PP), do partido de extrema direita Vox e do Junts, legenda da direita independentista catalã.
“É imprescindível intervir no mercado imobiliário, e é isso que estamos fazendo. Este governo não vai jogar a toalha nem abandonar as pessoas. Não permitiremos mais nenhum despejo”, afirmou Sánchez.
Vox e PP contestaram o uso da Deputação Permanente para aprovar as iniciativas. Segundo a agência, os partidos acusaram o primeiro-ministro de “agir como um homem forte” ao recorrer a um órgão com composição menor que a do plenário parlamentar.
A morte de Maricarmen passou, assim, a integrar o debate sobre os decretos habitacionais e a proteção contra despejos. Para o Sindicato dos Inquilinos, a mobilização iniciada em torno da permanência da idosa no apartamento continuará nas manifestações por moradia e na greve anunciada para novembro.


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