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Vice-presidente dos EUA condiciona fim da guerra com o Irã à redução do enriquecimento nuclear

07.10.2026 4 min read

247 – O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que o Irã precisa reduzir significativamente sua capacidade de enriquecimento de urânio para viabilizar um acordo que encerre a guerra entre os dois países. Em entrevista exclusiva à Reuters, ele defendeu concessões nucleares concretas de Teerã e disse que Washington tem dúvidas sobre quem detém o poder de decisão nas negociações.

A entrevista foi concedida na segunda-feira (5), durante uma viagem de campanha ao Alasca, e publicada pela Reuters na terça-feira (6). Segundo Vance, promessas de restrições futuras ao programa nuclear iraniano não serão suficientes para atender às exigências dos Estados Unidos. “Não vamos trocar palavras por ações”, declarou.

“Se você não quer uma arma nuclear, por que precisa de combustível enriquecido a 60%? E se você quer demonstrar um compromisso em não construir uma arma nuclear, não construa combustível altamente enriquecido. Essa é uma questão fundamental”, afirmou o vice-presidente.

Vance acrescentou: “Acho que, se eles quiserem demonstrar um compromisso em não construir armas nucleares, deveriam fazer algo significativo em relação à sua capacidade de enriquecimento”.

As declarações ocorrem após semanas de troca de propostas entre Washington e Teerã para encerrar o conflito, que dura sete meses, e reabrir o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte mundial de energia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a oferta mais recente do governo iraniano e advertiu que as operações militares poderão ser intensificadas depois das eleições legislativas de novembro.

Washington questiona autoridade dos negociadores iranianos

Vance informou que os Estados Unidos mantêm conversas com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e com o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. Segundo ele, a administração americana não sabe ao certo quanto poder os dois exercem na estrutura política iraniana.

Essa incerteza, de acordo com o vice-presidente, surgiu no cenário posterior à morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel no início da guerra.

“Uma das coisas que percebemos é que não está totalmente claro como o país deles toma decisões”, disse Vance. Na terça-feira, Trump também afirmou que seu “maior problema” é que ninguém sabe quem está comandando o Irã.

O governo iraniano contesta essa avaliação. No domingo (4), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou que as autoridades americanas conhecem seus interlocutores e entendem o funcionamento do processo decisório de Teerã.

“O problema é, na verdade, o oposto: está nas posições contraditórias e nas mensagens conflitantes das autoridades americanas”, afirmou Baghaei em entrevista coletiva.

Vance relata participação nas negociações

Crítico de longa data do envolvimento americano em guerras no exterior, Vance passou a desempenhar um papel central nas tentativas de negociar o fim do conflito. Em junho, intermediou um acordo provisório de paz que se desfez rapidamente.

Na entrevista, ele evitou confirmar se comanda as negociações, embora seja frequentemente apontado como o principal negociador da Casa Branca. “Certamente estamos envolvidos”, afirmou. “Em última instância, o presidente dos Estados Unidos está conduzindo as coisas.”

Vance também disse que conversou pessoalmente com comandantes em campo para avaliar a situação militar. Ele rejeitou preocupações sobre uma escassez crítica de munições e afirmou que, embora forças iranianas consigam atingir periodicamente navios comerciais no Estreito de Ormuz, têm capacidade limitada para impedir as exportações de energia pela passagem.

Guerra pesa sobre campanha republicana

O conflito, com custo mensal de US$ 3 bilhões, tornou-se um dos principais temas da campanha para as eleições de meio de mandato. A alta dos preços da energia pressiona Trump e os republicanos em estados competitivos, decisivos para definir o controle do Congresso.

Vance tem procurado conter o desgaste político da condução da guerra. Em eventos eleitorais, pediu aos eleitores que as críticas ao conflito não os impeçam de apoiar candidatos republicanos em novembro.

No Alasca, o vice-presidente participou de um comício em apoio ao senador republicano Dan Sullivan, que enfrenta uma disputa apertada pela reeleição contra a democrata Mary Peltola. Trump venceu no estado por uma diferença de 13 pontos percentuais em 2024, mas o aumento do custo de vida tornou a disputa mais competitiva.

Antes da entrevista à Reuters, Vance dedicou boa parte de seu discurso aos preços, sobretudo aos gastos com energia. A localização remota do Alasca encarece os bens de consumo, enquanto a produção energética tem peso relevante na economia estadual.

Durante o evento, o público reagiu com entusiasmo quando Sullivan quase apresentou Vance como presidente dos Estados Unidos, em vez de vice-presidente. Considerado um dos principais nomes republicanos para suceder Trump, ele afirmou depois que ainda não decidiu se disputará a Casa Branca em 2028.

“Sou um procrastinador por natureza”, disse Vance. “Eu realmente não pensei muito nisso.”

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