Lula defende universalização do ensino integral e do Pé-de-Meia para garantir futuro aos jovens
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a universalização da educação em tempo integral e do programa Pé-de-Meia como pilares de uma política de Estado voltada à juventude brasileira. Em conversa com influenciadores digitais no Palácio da Alvorada, nesta quarta-feira (30), Lula afirmou que ampliar o acesso à educação e à cultura é a principal contribuição que seu governo pode oferecer às novas gerações.
Ao tratar do futuro da juventude, Lula sustentou que educação não pode ser encarada como despesa pública, mas como investimento estratégico. O presidente vinculou a ampliação da jornada escolar à necessidade de oferecer aos jovens não apenas a formação tradicional, mas também conhecimentos relacionados aos desafios contemporâneos.
A proposta apresentada por Lula é avançar na universalização do ensino integral, incluindo o ensino médio. A ideia é que a permanência por mais tempo na escola permita combinar as disciplinas regulares com conteúdos relacionados ao meio ambiente, à cidadania e à prevenção da violência contra as mulheres.
O presidente também destacou o Pé-de-Meia, programa criado para incentivar a permanência e a conclusão do ensino médio público. Atualmente, o benefício é pago aos estudantes que cumprem os critérios estabelecidos pelo programa, incluindo requisitos de matrícula e frequência.
Combate à evasão escolar
Lula relacionou a política de permanência escolar a uma realidade enfrentada por milhões de famílias brasileiras: jovens que deixam os estudos porque precisam trabalhar para complementar a renda doméstica.
Nesse contexto, o presidente defendeu a universalização do Pé-de-Meia como instrumento para impedir que dificuldades financeiras interrompam a trajetória educacional dos estudantes. A política parte do princípio de que garantir condições materiais para que o jovem permaneça na escola também é parte da política educacional.
Para Lula, o investimento público deve acompanhar o estudante ao longo de sua formação, permitindo que ele conclua os estudos e tenha acesso à qualificação profissional. A prioridade, segundo o presidente, é ampliar as oportunidades para que a origem social não determine o futuro dos jovens.
A educação e a cultura foram apresentadas pelo presidente como instrumentos de autonomia e transformação social. Lula afirmou que esse é o legado mais importante que pode deixar à juventude brasileira.
Bets e impacto sobre as famílias
Na conversa, Lula também voltou a abordar os efeitos das apostas online sobre a sociedade brasileira. O governo editou em 25 de setembro uma medida provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país.
O presidente citou um volume de R$ 141 bilhões relacionado às apostas e associou a expansão das bets à retirada de recursos do orçamento familiar. O tema vem sendo tratado pelo governo também como questão de saúde pública, diante dos casos de dependência em jogos.
Lula defendeu que o Sistema Único de Saúde esteja preparado para atender pessoas que desenvolveram ludopatia, inclusive por meio de mecanismos de atendimento a distância. A política contra as bets, assim, foi vinculada pelo presidente tanto à proteção da renda das famílias quanto à saúde mental.
Lula propõe debate sobre reformas institucionais
Outro eixo da conversa foi o funcionamento das instituições brasileiras. Lula defendeu a abertura de um debate sobre reformas política e do Judiciário, argumentando que é necessário preservar a capacidade do Poder Executivo de executar as políticas públicas escolhidas pela população nas eleições.
O presidente também questionou o peso crescente das emendas parlamentares na distribuição de recursos públicos e criticou o atual modelo de financiamento eleitoral. Dados sobre arrecadação e despesas das campanhas são disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral no sistema DivulgaCandContas.
Lula declarou ser contrário ao modelo atual dos fundos partidário e eleitoral e defendeu uma discussão mais ampla sobre a forma de financiamento da atividade política no Brasil.
Escolha dos ministros do Supremo
O presidente também sugeriu mudanças no processo de discussão dos nomes indicados para o Supremo Tribunal Federal (STF). Lula mencionou a possibilidade de ampliar a participação de entidades e especialistas na avaliação das características consideradas necessárias para o exercício do cargo.
Entre os critérios mencionados pelo presidente estão caráter, dignidade, competência jurídica e capacidade intelectual.
As declarações mostram que, ao lado das propostas sociais voltadas à juventude, Lula pretende colocar no debate público temas relacionados à organização do Estado e ao funcionamento das instituições. No centro de sua mensagem aos jovens, porém, esteve a defesa de que educação e cultura sejam tratadas como direitos e como investimentos essenciais para ampliar as oportunidades no país.


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