Irã admite negociação com os EUA, mas alerta que reagirá caso seja atacado
247 – O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país continua disposto a negociar com os Estados Unidos, mas reagirá a uma nova ofensiva militar. A declaração ocorre depois que Washington rejeitou uma proposta iraniana para interromper os combates por sete dias e reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.
Segundo a Al Jazeera, Araghchi disse que o país está aberto à “diplomacia real” e preparado para enfrentar novos ataques americanos, “mesmo que isso resulte em uma guerra apocalíptica”. A fala mantém aberta a possibilidade de diálogo, ao mesmo tempo que evidencia a distância entre os dois governos sobre os termos de uma trégua.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou esperar novas conversas com o Irã nesta semana. A disposição anunciada pelos dois lados para conversar ainda não produziu um entendimento sobre o fim dos combates e a circulação de navios por Ormuz.
Para Andreas Krieg, professor associado do King’s College London ouvido pela Al Jazeera, a rejeição da proposta indica que Trump considera o bloqueio naval e o isolamento econômico capazes de aumentar a pressão sobre Teerã. Na avaliação do pesquisador, o governo americano interpreta a oferta iraniana como sinal de fraqueza e acredita que o tempo pode melhorar sua posição nas negociações.
Petróleo sobe, mas exportações se recuperam
O impasse diplomático repercutiu no mercado de energia. O barril do petróleo Brent chegou a US$ 105,64, de acordo com a cobertura da Al Jazeera. Ao mesmo tempo, dados da empresa de análise Kpler citados pela emissora mostram que as exportações de petróleo do Oriente Médio alcançaram, em setembro, o maior patamar desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro.
A média registrada no mês foi de 12,8 milhões de barris por dia, dos quais 7,4 milhões passaram pelo Estreito de Ormuz. O volume total permanece abaixo dos 18,8 milhões de barris diários anteriores à guerra.
Parte do petróleo tem seguido por rotas alternativas. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos desviaram embarques, respectivamente, para portos no mar Vermelho e no golfo de Omã. Segundo a Al Jazeera, navios também utilizam uma rota pelo estreito próxima à costa de Omã, supervisionada por militares americanos. O Irã afirma que embarcações sem coordenação com suas autoridades não podem atravessar a passagem.
Em outra frente diplomática, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, chegou a Washington para uma visita oficial. Segundo a agência estatal saudita, ele se reunirá com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para discutir acontecimentos regionais e internacionais.


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