Catar cobra respeito à soberania regional, ameaçada por guerra de EUA e Israel contra Irã
247 – O governo do Catar cobrou respeito à soberania regional e alertou que a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã ameaça o abastecimento de energia, as rotas de navegação e os investimentos globais. A avaliação foi apresentada neste domingo (20) pelo primeiro-ministro catariano, xeque Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani.
Segundo a Al Jazeera, o premiê, que também ocupa o cargo de ministro das Relações Exteriores, fez as declarações durante a abertura de um evento paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas, organizado pelo Fórum Econômico do Catar, em Nova York.
Mohammed comparou as consequências econômicas do conflito a um “terremoto” cujas “ondas de choque” ultrapassaram as fronteiras do Oriente Médio e colocaram em xeque premissas consolidadas sobre segurança e estabilidade internacional.
“A região precisa de uma estrutura em que a soberania seja respeitada” e na qual nenhum país represente uma “ameaça para outro”, afirmou o primeiro-ministro. Ele também advertiu para o risco de sucessivos “ciclos de escalada” no Oriente Médio.
O chefe do governo catariano relatou que as preocupações de autoridades e investidores durante a crise passaram rapidamente da segurança para os possíveis efeitos econômicos do confronto.
“Durante a crise, quase todas as conversas começavam com segurança e desescalada, depois se voltavam para o fornecimento de energia, rotas de navegação e, com relação aos nossos investimentos, os planos continuariam. Essas eram diferentes expressões da mesma pergunta: quando tanta coisa está sendo afetada, em que ainda podemos confiar?”, declarou.
De acordo com Mohammed, o Catar conseguiu suportar o impacto inicial da guerra, que submeteu a uma prova os “alicerces” econômicos e de segurança do país. O premiê reconheceu, entretanto, que a continuidade do confronto afeta toda a região.
“A segurança permanente não pode ser construída por meio de acordos que deixem qualquer Estado permanentemente exposto à insegurança”, disse. “Devemos abordar as fontes de tensão e construir confiança.”
A correspondente da Al Jazeera Kristen Saloomey avaliou que essa posição deverá voltar a ser apresentada na terça-feira, quando dirigentes dos países do Golfo se reunirem com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral da ONU.
Catar anuncia US$ 38 bilhões para infraestrutura
Em meio às incertezas provocadas pelo conflito, Mohammed também anunciou uma mudança na estratégia de investimentos domésticos do Catar. O governo pretende destinar mais de US$ 38 bilhões à infraestrutura nacional nos próximos cinco anos.
Segundo Saloomey, o programa busca atrair capital privado e demonstrar a capacidade de resistência da economia catariana. O anúncio ocorre enquanto Doha procura conter os efeitos regionais da guerra sobre investimentos, logística e segurança energética.
A situação no Oriente Médio e suas repercussões internacionais devem ocupar espaço central nos discursos e nas negociações diplomáticas durante a Assembleia Geral da ONU, prevista para ocorrer de segunda a sexta-feira.
O Catar também mantém esforços para promover a retomada das negociações entre Teerã e Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catariano, Majed Al-Ansari, disse no domingo à imprensa dos Estados Unidos, em Nova York, que o governo continua atuando como mediador para tentar viabilizar conversações destinadas a encerrar a guerra.



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